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O ambiente biológico influencia os resultados da terapia capilar?

  • Foto do escritor: Mariana Gorayb
    Mariana Gorayb
  • 13 de jul.
  • 4 min de leitura

Antes de perguntar qual é o melhor ativo, talvez exista uma pergunta ainda mais importante: em que ambiente esse folículo está tentando crescer?



Na semana passada, conversamos sobre um tema que faz parte da rotina de praticamente todo profissional da área capilar:


Por que alguns pacientes não respondem, mesmo quando o protocolo parece correto?


A principal reflexão daquele artigo foi simples, mas profunda:


Nem sempre o problema está no protocolo. Muitas vezes, ele começa antes da primeira aplicação.


Mas isso nos leva a uma nova pergunta.


Se o protocolo não é o único responsável pelos resultados, o que mais influencia a resposta do tratamento?


A resposta está em um conceito que, na minha opinião, representa uma das maiores mudanças na tricologia moderna:


O ambiente biológico.


O mesmo protocolo pode gerar resultados completamente diferentes.


Imagine dois pacientes.


Ambos apresentam o mesmo diagnóstico.


A mesma idade.


O mesmo grau de rarefação capilar.


Recebem exatamente o mesmo protocolo.


Mesmo ativo.


Mesmo equipamento.


Mesma frequência de sessões.


Ainda assim, um evolui rapidamente e o outro praticamente não apresenta resposta.


Isso acontece todos os dias na prática clínica.


E dificilmente essa diferença pode ser explicada apenas pela qualidade do protocolo.


Ela acontece porque cada paciente possui um ambiente biológico único.


Mas afinal, o que é ambiente biológico?


Chamamos de ambiente biológico o conjunto de condições que permite ou impede o bom funcionamento das células.


Nenhuma célula trabalha isoladamente.


Ela depende de energia, oxigenação, nutrientes, comunicação celular, equilíbrio imunológico e de um ambiente favorável para desempenhar sua função.


Com o folículo piloso acontece exatamente a mesma coisa.


Para produzir um fio saudável, ele precisa receber muito mais do que estímulo.


Ele precisa encontrar condições para responder a esse estímulo.


É justamente aí que muitos tratamentos encontram sua principal limitação.


O folículo responde ao ambiente em que está inserido.


Costumo fazer uma comparação simples.


Imagine tentar cultivar uma planta.


Você pode comprar a melhor semente disponível.


Mas, se ela for colocada em um solo pobre, sem água, sem nutrientes e sem condições adequadas, dificilmente irá se desenvolver.


Com o folículo acontece algo semelhante.


Os ativos representam a semente.


Mas o organismo é o solo.


Se esse ambiente não estiver favorável, mesmo excelentes protocolos podem apresentar resultados discretos.


O cabelo não funciona separado do organismo.


Hoje sabemos que o folículo piloso mantém uma intensa comunicação com diversos sistemas do corpo.


Sua atividade sofre influência do metabolismo, da circulação, da disponibilidade energética, da resposta imunológica, do equilíbrio hormonal e de diversos outros processos fisiológicos.


Isso explica por que situações aparentemente distantes do couro cabeludo podem modificar a resposta ao tratamento.


O cabelo continua sendo um tecido local.


Mas seu comportamento é sistêmico.


É exatamente por isso que dizemos que ele funciona como um biomarcador biológico.


O ambiente biológico muda constantemente.


Outro ponto importante é entender que o ambiente biológico não é fixo.


Ele muda ao longo da vida.


Um paciente pode responder muito bem a um protocolo hoje.


E, meses depois, deixar de responder ao mesmo tratamento.


O que mudou?


Nem sempre foi o folículo.


Muitas vezes, foi o organismo.


Alterações metabólicas, processos inflamatórios, mudanças hormonais, perda rápida de peso, estresse intenso, infecções, qualidade do sono e diversos outros fatores podem modificar esse ambiente e, consequentemente, alterar a capacidade de resposta do tratamento.


Por isso, reavaliar o paciente é tão importante quanto avaliá-lo pela primeira vez.


O protocolo continua importante, mas ele não trabalha sozinho.


Isso não significa que os protocolos perderam importância.


Muito pelo contrário.


Ativos modernos, equipamentos e tecnologias continuam sendo fundamentais.


Mas eles dependem da capacidade do organismo em responder aos estímulos recebidos.


Talvez essa seja uma das maiores mudanças na forma de pensar a terapia capilar.


O sucesso do tratamento não depende apenas daquilo que aplicamos.

Depende também das condições biológicas encontradas naquele paciente.


Conclusão


Durante muito tempo, buscamos o melhor ativo.


Hoje entendemos que talvez a pergunta mais importante venha antes disso.


Em que ambiente esse ativo irá atuar?


Compreender o ambiente biológico não significa complicar a prática clínica.


Significa torná-la mais inteligente, mais individualizada e mais previsível.


Porque pacientes não são iguais.


E seus organismos também não.


Na próxima semana, vamos dar mais um passo nessa construção.


Se o ambiente biológico influencia diretamente os resultados, o que muda quando aprendemos a pensar antes de escolher o ativo?


Talvez seja justamente essa mudança de raciocínio que explique por que alguns profissionais conseguem resultados consistentes, mesmo utilizando tecnologias semelhantes às de tantos outros.


Referências científicas


* Paus R, Cotsarelis G. The biology of hair follicles. New England Journal of Medicine.

* Stenn KS, Paus R. Controls of Hair Follicle Cycling. Physiological Reviews.

* Paus R. The hair follicle as a neuroendocrine organ. Experimental Dermatology.

* Bertolini M, Paus R. The hair follicle immune system. Journal of Investigative Dermatology.

* Malkud S. Telogen Effluvium: A Review. Journal of Clinical and Diagnostic Research.

* Revisões no International Journal of Molecular Sciences sobre bioenergética mitocondrial e metabolismo do folículo piloso.


Mariana Gorayb

Tricologista, Cosmetóloga e CEO da Beleza Wellness

 
 
 

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